24 de novembro de 2016

Ushuaia - 27º dia - Vera

27º dia - Vera
24/11/2016
846 km (13.143 km)

Hoje é dia de rodar até cansar, faltam 2.729 km e 4 dias para chegar em casa (a média está em 682/dia para rodar).

Sem muitas novidades ou fotos, saímos da província de Buenos Aires e entramos na de Santa Fé, a ruta 33 nos levou a Rosário, acabamos por passar por dentro da cidade, ao invés de pegarmos uma perimetral que faria economizar tempo.



A paisagem em Santa Fé muda radicalmente, acaba a paisagem de deserto e começa a das plantações e das árvores.

Depois de Rosário rodamos pela Ruta 11, agora sim uma estrada boa, pista dupla, mas com alguns buracos (poucos) e pedágio. Demos uma boa parada no lanche do almoço, com tempo até para uma cochilada na grama por 30 minutos, para evitar o sono durante a pilotagem.

Fomos parados pela gendarmeria e o soldado descobriu que minha lâmpada traseira estava queimada, a primeira coisa que a gente pensa nessa hora é: ferrou, vai começar a confusão! Mas o cara foi gente boa, só me avisou e orientou consertar.

Depois de 836 km bem rodados, chegamos em Vera, com poucos hotéis e preços altos. Na Ruta 11 há o Hotel Monte Regina, mas pelo padrão muito bom da construção, nem paramos para perguntar o preço (depois vimos no site, que estava 1150 pesos o apartamento duplo).

Dentro da cidade há o Hotel La Giralda Caz, boa aparência mas com tarifa de 900 pesos, não dá!

Acabamos ficando em um mais simples ainda pagando caros 600 pesos, incompatível com o padrão do apartamento, era bem ruim mesmo. Mas, era o que tinha. E, hoje, escrevendo este post, não lembro mais o nome e endereço.

O jantar foi uma pizza em um boteco ao lado do hotel, coisa simples para economizar, pois os pesos argentinos estão chegando ao fim.

Amanhã vamos usar a mesma estratégia, rodar bastante, e ver se dormimos depois de Corrientes. Faltam 1.883 km, e abaixamos a média para 628 km/dia!

Estou tocando a XT com mais suavidade, lubrificando muito a corrente e verificando as emendas a cada parada, todo cuidado é pouco para chegar em casa sem problemas.



Dicas:

- Gasolina: passou para 19,15 AR (3,83 BRL)

- Hotéis em Vera (não ficamos nesses devido ao alto preço, mas fica a dica:
                    www.hotellagiraldacaz.com.ar
                    www.hotelmonteregina.com.ar



23 de novembro de 2016

Ushuaia - 26º dia - América

26º dia - América
23/11/2016
653 km (12.297 km)

Boa noite de sono. Pernilongos fizeram a festa!

Ao preparar as motos para a partida, no momento de lubrificar a corrente da XT, percebi algo diferente ao girar a roda traseira, inspecionando a corrente descobri um rolete afinado, um só, mas quando ele passava pelo pinhão a corrente afrouxava, finalmente descobri o que deixava a corrente "oval". Isso, na verdade, se tornou um problema: se o rolete estava fino, como estaria o pino de dentro? Será que essa corrente iria estourar?

Nesse momento, lembrei da corrente meia vida que joguei fora lá na Ruta 40, no 9º dia de viagem (Ushuaia - 9º dia - Zapala). Aliás é bem provável que este elo tenha sofrido algum esforço maior pela ação do amortecedor quebrado ou até pelo tombo, e veio se deteriorando de lá para cá. O medo é a corrente estourar, então seguimos com cuidado até encontrar uma oficina que possa ajudar no problema, pois ainda tenho uma emenda de clip guardada.



Tocamos pela 251 e pouco antes do final dela, cruzamos com um motociclista argentino que nos acenou para pararmos. O cara, estilo motoqueiro americano, estava em uma Yamaha antiga de motor grande, preta, perguntou se a gente não tinha um pouco de gasolina, porque ele não tinha conseguido abastecer em Rio Colorado e o combustível acabaria antes de General Conesa, claro que a gente disse sim. Então, o doido enfiou a mão por dentro da jaqueta e arrancou uma mangueira fina de plástico enrolada (esse cara é preparado!), juntou no bidon do Ednei e foi abastecendo, enquanto o papo rolava, o cara perguntou quanto nos devia, lógico que não aceitamos pagamento, e ele foi enchendo o tanque! Depois que o argentino foi embora comentei com o Ednei: acho que fomos enganados!  Esse cara nos deu um golpe, viu a velocidade que o mala apareceu com uma mangueira? Só risada!

Chegamos em Rio Colorado (abastecemos! Tomamos um golpe mesmo...kkk) e procuramos uma oficina para tratar do assunto da corrente, depois de perguntar muito, indicaram ir ao Sr. Piñol.

Na oficina, o Sr. Piñol, muito atencioso, olhou a corrente e falou que era moleza, só trocar o pedaço da corrente com problema e emendar, então vamos ao serviço!



Porém, depois de cortar a corrente... eles descobriram que o pedaço de corrente que eles tinham não era da mesma medida! A saída foi pegar minha emenda e somar a mais outra, pois a corrente ficou curta demais; foi feito o que era possível. Agora a tocada vai ter que ser cuidadosa demais, sem trancos e em menor velocidade, mas acabou a relação "oval". Não curto muito emendas, e ainda por cima, agora tenho duas, e uma na sequência da outra!



Saímos  da 22 e pegamos a 154 rumo ao norte, uma estrada simples, com um pouco de buraco, mas que não atrapalharam a tocada, ao fim da 154 seguimos pela 152. Em Santa Rosa, viramos para a 5 e em Trenque Lauquen partimos para a 33, que nos levaria a Rosário, todas estas rodovias em bom estado.

A parada para conserto da moto nos atrasou e foi possível chegar em América, uma pequena cidade toda quadrada, com casas sem muro e gramado na frente. Encontramos o hotel Residencia Txoko-Maite, negociamos o preço e nos fizeram abaixo da tabela, por um pulo do gato: a recepcionista falou bem baixinho, se a gente queria o preço sem impostos, dissemos que sim e o desconto foi dado. Ela frisou que não podia contar para ninguém (como se fossemos contar...kkk) e não podia pedir nota no outro dia.... por nós, tudo bem!



O jantar foi no hotel mesmo, um simples filé de frango matou a fome do dia!

Hoje foram 653 km percorridos, faltam 2.729 km e 4 dias (a média abaixou para 682/dia).



Dicas:

- Gasolina: a última abastecida com o preço patagônico de 13,77 AR (2,754 BRL) foi em Rio Colorado, depois já passou para 14,49 AR (2,898 BRL).

- Piñol Motos - Juan B. Justo, 967 - Rio Colorado - Fone: 02931 43-2783

- Hotel Txoko-Maite - Doctor Banfi 208, América - Tel: (02337) 45 2359 - www.hoteltxokomaite.com. Ótimo hotel.




22 de novembro de 2016

Ushuaia - 25º dia - General Conesa

25º dia - General Conesa
22/11/2016
828 km (11.644 km)

Bom dia! Café da manhã simples no hotel Luque; programa simples para hoje, só andar de moto rumo ao norte, faltam 4.210 km e 6 dias (a média de 701/dia).

E continuamos, na Ruta 3, mais um dia sem o famoso vento. Infelizmente não poderemos contar sobre este aspecto famoso da estrada, mesmo porque hoje será o último dia nela, pois vamos seguir pela 251 em San Antonio Oeste.



Na abastecida em Puerto Madryn passamos por dentro da cidade. Tivemos a idéia de dar uma corrida rápida até a Península Valez, pelo menos para ver alguma coisa rapidamente, pois eram só 130 km até Punta Delgada, ou seja 3 horas para ir, tirar umas fotos e voltar. Até pegamos um trecho inicial da Ruta 2, mas pensei melhor e ir lá seria igual ao processo que fizemos em Torres del Paine, ir no lugar e não ver nada direito, com correria, gastando combustível e taxa de entrada, assim, Península Valdes fica para uma próxima. Voltamos para a 3, rumo a Santo Antonio Oeste.

A idéia era seguir o máximo possível, então passamos reto por Santo Antonio Oeste e fomos parar em General Conesa, já rodamos 828 km hoje, está bom, rendeu bastante.

Não entramos na cidade, paramos no La Chacra Apart Hotel na beira da 251, junto a outros estabelecimentos perto (parillas e postos de combustível). Na verdade o lugar tinha mais cara de hostel de beira de estrada mesmo, bem simples. Uma senhora (parecia ser a dona), muito maluca, falante demais, nos atendeu, Dona Cristina. Muito doida a senhora, ela falava tão rápido que a gente não entendia nada. No hotel não havia vaga, então ela nos conduziu aos fundos de uma casa há uns 50 metros dali e nos ofereceu o lugar por 500 pesos (50 reais por pessoa); era uma casa com cozinha, banheiro e um quarto com uma cama de casal e uma beliche, tudo sem muro e o quintal era um mato só, parecia um bom custo benefício para uma noite, ali ficamos.


Quando entramos na casinha percebemos que haviam muitos mosquitos, a Dona Cristina ficou meio preocupada e disse que ia buscar um inseticida. Depois de uns 5 minutos ela voltou com um tubo spray gigante, brincamos que dava para matar os mosquitos usando o frasco como porrete! Ela nos deu o frasco e foi embora, quando fomos ler o rótulo: era Lysoform! O jeito era usar o frasco como porrete mesmo!


Não foi o melhor lugar da viagem, mas foi melhor do que acampar.

À noite fomos a Parilla Dona Cristina (deve ser da senhora maluca), estava fechada, então pegamos uma moto e seguimos para a Parilla Los Gorditos, que só teve a gente de cliente naquele horário, comemos uma pizza e tomamos uma cerveja Palermo barata, tudo por 100 pesos (10 reais para cada um).



Fizemos 3 abastecimentos, todos ainda no preço patagônico de 13,75 pesos.
Hoje foram 828 km percorridos, faltam 3.382 km e 5 dias (a média abaixou para 676/dia).

Amanhã, rumo ao norte, sentido Santa Fé, nem sabemos por onde a partir de agora. Vamos seguir nosso instinto e o mapa de papel.

Bora dormir!



Dicas:

- Gasolina: 13,75 AR (2,75 BRL)

- Área Natural Protegida Península Valdés - http://peninsulavaldes.org.ar/

- La Chacra Apart Hotel - 500 pesos (100 reais) em uma casa pequena à beira da estrada (lugar não muito agradável, serve apenas para pernoite), fica na Ruta 251 um pouco ao norte do entroncamento com a 250.

- Parilla Los Gorditos - restaurante simples com várias opções de pratos, inclusive parilla. Com pizza a 100 pesos (20 reais), fica na Ruta 251 um pouco ao norte do entroncamento com a 250.



21 de novembro de 2016

Ushuaia - 24º dia - Comodoro Rivadavia

24º dia - Comodoro Rivadavia
21/11/2016
790 km (10.816 km)

Café tomado, motos arrumadas, partimos para o centro da cidade procurar alguma oficina para comprar um rolete da corrente, não é uma peça difícil, pois qualquer uma que entre no eixo serve, o difícil foi encontrar oficina. Mas, como na hora dos apuros sempre aparece gente para ajudar, um cara passou de caminhonete na rua e nos viu parados perguntando para as pessoas sobre oficina, o cara, do nada, estacionou a caminhonete no meio da rua e veio perguntando que ajuda precisávamos. Explicamos o problema e ele indicou o caminho para uma oficina, depois nos explicou que já teve problemas em suas viagens e sempre foi ajudado, e por isso, pára para ajudar todo mundo também. Show de bola!

Para variar, não encontramos a oficina no caminho explicado, mas achamos outra e o problema foi resolvido, comprei a peça e eu mesmo troquei em 10 minutos.

SM Motos, loja muito legal, de bikes e motos, peças Yamaha e KTM. Com muita peça original e paralela. Tudo meio caro (mas é o que tinha).





Partimos para a fase final da trip, chega de ir para o sul, hora de voltar para casa. Hoje é segunda-feira, temos que estar em casa no domingo, portanto serão 5.000 km em sete dias, média de 714 km/dia. Portanto é puxado pois se rodarmos menos que isso em um dia, teremos que compensar no outro, e nenhum problema pode ocorrer. Também não haverá tempo para visitarmos mais pontos turísticos além daqueles que estiverem à beira da estrada.

Detalhe crucial: serão cerca de 1500 km na Ruta 3, o famigerado caminho dos ventos fortes! Dizem que são mais fortes do que os da Ruta 40, que enfrentamos na vinda.


Entramos na Ruta 3, andamos os primeiros 100 km e... nada de vento!

Paramos no mirante para ver de longe o Gran Bajo San Julian, a placa explica tudo!



Até Puerto San Julián acumulamos 360 km hoje, e ainda nada de vento, ou estávamos com sorte (para deixar a viagem mais tranquila), ou com azar (por não conhecermos o famoso vento), ou ainda, não chegamos no trecho onde a coisa pega.

Momento cultural: entramos em Puerto San Julián para conhecer a réplica da Nau Victória, que foi um dos 5 barcos que Fernando de Magalhães fez sua volta ao mundo, e a única que terminou a viagem com 18 marinheiros (dos 234 que partiram), inclusive o próprio Fernando de Magalhães morreu no meio do caminho.


A réplica do barco é um museu. Acabamos por entrar gratuitamente, pois justamente na hora que chegamos a energia elétrica acabou, motivo para as guias nos liberarem.




Toca o barco... quer dizer, toca moto! De volta à Ruta 3, ainda sem o famigerado vento, seguimos até Comodoro Rivadavia.

O trecho que rodamos é de pista simples, asfalto bom, deserto plano para todos os lados e guanacos. Praticamente só pilotamos e abastecemos.

As abastecidas foram em Piedra Buena, Puerto San Julian, Fitz Roy e Comodoro Rivadavia. A gasolina continua no preço patagônico de 13,75 pesos.

Chegamos em Comodoro Rivadavia no fim do dia, passamos por hotéis caros demais, e até encontrarmos um foi anoitecendo. Um ciclista nos informou um hotel com preço bom, chegamos ao Hotel Luque, onde o dono, um senhor com sotaque francês misturado ao espanhol nos atendeu. O hotel é composto de um prédio, com restaurante em baixo e apartamento em cima, e outro prédio (do outro lado da rua) só com apartamentos; ficamos no segundo prédio, ao custo de 600 pesos (60 reais para cada um), razoável. O jantar foi no próprio hotel, um grande executivo, por 100 pesos (20 reais).


No estacionamento encontramos duas Ténérés 1200, do casal "Ele e Ela Ushuaia", não vimos eles.

Hoje foram 790 km percorridos, faltam 4.210 km e 6 dias (a média abaixou para 701/dia).


Dicas:

Gasolina: 13,75 AR (2,75 BRL)

Oficina e loja de peças: SM Motos - Av. José de San Martín 2290 (peças Yamaha e KTM).

Hotel Luque - Av. Kennedy 3012 - Apartamento duplo: 600 AR (120 BRL), com restaurante.


20 de novembro de 2016

Ushuaia - 23º dia - km 0 da Ruta 40

23º dia - km 0 da Ruta 40
20/11/2016
260 km (10.026 km)

Domingão, dia de chegar no km 0 da Ruta 40, ponto obrigatório da viagem.
Sabíamos que caminho seguir e a distância, mas não dava para saber o estado do rípio, pois cada um que vai lá conta uma história diferente. Fomos conferir.

A entrada na Ruta 1 (que também é a 40) tem apenas alguns metros de asfalto e depois já é tudo rípio. O piso é bem compacto, permitindo muitos trechos bons, onde pudemos andar até a 90 km/h,  mas a maioria do tempo a velocidade foi de 50-60 km/h. No geral qualquer moto e qualquer carro vai com muita tranquilidade.



A região é de fazendas de criação de cordeiros, totalmente plana.

A velocidade sugerida.
A corrente da XT continuava "oval" e paramos para dar uma breve regulada, sem maiores problemas.

Pouco antes do km 0 passamos por uma grande turma de ciclistas, homens, mulheres, jovens e idosos, com carros de apoio, prova de que o caminho é tranquilo.

Não fizemos toda a Ruta 40 ao sul de Mendoza, mas os trechos percorridos foram fantásticos, e chegamos no km 0. Um dia, faremos um projeto exclusivo para rodar todos os 5080 km.



Conversamos bastante com os ciclistas, eles iam fazer um churrasco de cordeiro nas instalações do exército. Quando eles falaram que iam fazer o tal churrasco, pensamos que iriam nos convidar, mas não convidaram (porque falaram? Só para atiçar as lombrigas!).

A área do farol é fantástica, uma ótima paisagem da praia.





Dali fomos mais ao sul, conhecer a pinguineira, que é uma atração interessante para passar uma hora, ou mais.

Visão geral da pinguineira: solo de cascalho em uma grande área até o mar
A pinguineira é uma grande área a beira mar, com solo de cascalho e vegetação baixa. Os pinguins fazem seus ninhos cavando entre as raízes das plantas espinhentas, principalmente sob os pés de calafate. A espécie que vive ali são os Pinguins de Magalhães.

Calafate, espinhos e frutas se formando.

Chegar no km 0 é um marco para a viagem, tirar fotos e se satisfazer de chegar a um extremo. Mas, a pinguineira é a atração maior, não se pode ir embora sem conhecer.


O tráfego de vai e vem é constante.
E o objetivo é o mar, encontrar comida.

A volta foi tranquila.

Aproveitei para trocar o óleo da moto novamente, para encarar os 5.000 km para casa. A corrente continua "oval", esticando e afrouxando conforme a roda gira, revisei toda a relação e não encontrei o defeito, fiz uma regulagem deixando um pouco frouxa na posição em que a corrente ficava mais tensionada e lubrifiquei mais que o normal, vai funcionar. Mas descobri que o rolete superior de limite da corrente estava totalmente gasto, devido ao problema do amortecedor fraco, não dava mais tempo para a troca e resolvemos tentar procurar um em alguma oficina mecânica da cidade amanhã cedo, antes da partida.

Amanhã a trip entra na fase "voltar sem olhar para os lados".

Um pequeno acidente: derrubei o recipiente para coletar o óleo velho.
O jantar foi no hotel mesmo, com um lanche delivery, sem detalhes.


Dicas:

- Gasolina: 13,75 AR (2,75 BRL)

- Cabo Virgenes (km 0 da Ruta 40) - o caminho foi tranquilo, qualquer moto, carro, bicicleta, vai. Não passa de uma estrada rural, larga, plana e bem cuidada (na época estava); como todo piso de rípio, em alguns pontos deve-se tomar cuidado. De moto, leva-se quase duas horas para percorrer o trecho. Há uma pinguineira para visitar. É importante levar água e algo para comer.





19 de novembro de 2016

Ushuaia - 22º dia - volta Rio Gallegos

22º dia – volta Rio Gallegos
19/11/2016

570 km (9.766 km)

Bora voltar para casa!
A volta foi como a vinda, com direito à mais chuva e frio.

Em Tolhuin parei para uma nova estratégia para não sentir frio nos pés pela água que entrava na bota, coloquei sacos plásticos sobre a meia, pelo menos assim fico com o pé seco e  não perco frio para a água. Resolveu.

Protegendo os pés da água e do frio.

Todos os trechos foram tranquilos, e as aduanas também.

Tudo bem, mas percebi que a relação da minha moto estava meio "oval", a corrente fazendo barulho e dando trancos. Nada aparente visualmente, fizemos uma tocada sem abusar, em Rio Gallegos posso olhar com mais calma durante a troca de óleo.

No Estreito de Magalhães o barco foi de outro tipo, bem maior, mas tudo sem problemas.


Divisa Argentina / Chile


Chegamos em Rio Gallegos no fim da tarde. Pegamos nossa bagagem guardada por eles, estava tudo em ordem.

Saímos para jantar no Restaurante Chino, sistema self service (comedor libre), com refrigerante e sobremesa incluídos, muito bom, mas caro demais. Sabadão, tudo lotado! Valeu à pena por fazer muita confusão na hora de pedir carnes ao churrasqueiro, eu ia repetindo ao churrasqueiro o que as outras pessoas diziam, eu queria um filé, mas acabei ganhando só linguiça, que comi com um monte de salada, e o Ednei no seu habitual 2 pratos gigantes de comida.



Amanhã vamos ao km 0, não sabemos como é o trecho, por isso deixamos o dia todo para isso, além de ter que sobrar um tempo para trocar o óleo da XT e arrumar toda a bagagem para iniciar realmente a volta para casa no dia 21 (segunda-feira).



Dicas:

Gasolina: 13,77 AR = 2,75 BRL

Hotel Sehuen - Rawson 160 - Rio Gallegos - +54 (2966) 425683 / 429057 - http://www.hotelsehuen.com/ - apartamento duplo por 800 AR (160 BRL).

Restaurante Chino -  9 de Julio 48. - 320 AR = 64 BRL por cabeça, com refrigerante e sobremesa inclusos.


18 de novembro de 2016

Ushuaia - 21º dia - Ushuaia!!

21º dia – Ushuaia - Fin del Mundo!
18/11/2016
9.170 km até o fim da Ruta 3
153 km (9.196 km)

Agora sim! Ushuaia chegando! Clima de hoje: frio (lógico), nublado, neblina na estrada, e trechos de fina garoa o tempo todo.

O caminho foi curto, mas muito bonito, no início contornando o Lago Fagnano, com a visão dos picos nevados. Depois foi passando por entre as montanhas, nesse trecho a pista é estreita, com muitas curvas fechadas, piso molhado, tem que ir com muita atenção e não se empolgar muito na velocidade.

E finalmente chegamos no portal da cidade! Pode-se considerar praticamente a missão como cumprida, pois o esforço era para chegar ali. Até agora, tudo valeu muito à pena!



Decidimos procurar logo o Hostel Ailen, que eu já tinha na lista, achamos fácil, o preço não foi bom, 1.300 pesos (260 reais) o apartamento duplo, mas os outros eram mais caros.

Hostel Ailen
Apartamento com conforto razoável para um bom banho, um bom sono aquecido.

Deixamos a bagagem das motos no hostel, para seguir ao fim da Ruta 3, no Parque Nacional Tierra del Fuego. O acesso ao parque é pago, no valor de 350 AR (70 BRL) para estrangeiros.



Caminho fácil, de cerca de 50 km por dentro do parque. Seguimos direto para o fim da Ruta 3, no km 3.079. Sem dificuldades para chegar, é uma estrada única, somente deve-se ficar atento para o piso molhado, que tem pontos escorregadios (barro).

Bahía de Lapataia
Desse jeito, vamos chegar nos 15 mil km nessa trip!
Já estou achando que Alaska é moleza!
Bahía de Lapataia

Último km da Ruta 3.
Na volta, visitamos a estação do Tren del Fin del Mundo, mas resolvemos não fazer o passeio devido ao preço alto de 690 AR (147 BRL). Mas a estação já é um lugar bem legal de fazer uma visita.

Estação do Fim do Mundo



O Correio del Fin del Mundo, onde é costume carimbar o passaporte e enviar um postal para casa, estava inativo, devido a uma inundação no caminho. (Dica: a agência do correio no centro da cidade faz o mesmo serviço).

No caminho para a cidade paramos em uma padaria para almoçar, de longe eu vi uns pães de queijo! Isso mesmo, pão de queijo em Ushuaia! Na hora que eu perguntei para a atendente se era mesmo, ela respondeu que era, mas não tinha o mesmo gosto do brasileiro, e emendou, "eu já trabalhei no Brasil, sei como é"! Pedimos uns 8 e uma Coca litro, e foi o almoço.

No porto, tiramos a foto clássica, demos uma volta no centro para fazer cambio, sacar dinheiro no Banco Patagônia, comprar uns regalos e visitar alguns restaurantes para avaliar os cardápios, pois hoje é o grande dia do segundo tradicional prato clássico da viagem: a centolla!

Ushuaia, no verão! (Imagina no inverno)

Chegamos mesmo!
Na busca da centolla: dessa vez, o esquema dos restaurantes de enrolar turista não ia pegar a gente. Alguns serviam a centolla viva, inteira, daquelas que você escolhe no aquário; outros serviam pratos com carne do caranguejo gigante; todos caros demais. Então passei a perguntar nas lojas, aos atendentes, qual o restaurante que serve uma boa centolla que não é só para turistas? E emendava: onde você levaria sua família para comer centolla? Nos indicaram um fora da rua central, na baixada, o El Viejo Marino. Fomos lá, tiramos todas as dúvidas possíveis, a dona era meio grossa, pois a gente era totalmente leigo, e ela não teve paciência alguma de explicar, lógico que fiz umas perguntas banais, do tipo: "serve quente ou frio", "vem inteira"? Bom, vivendo, viajando e aprendendo. O jantar então já estava definido!

Porto.
Ushuaia é uma cidade bem movimentada, com trânsito intenso, tanto no centro quanto nos bairros. O centro fica logo acima da área do porto, e aos pés das montanhas ficam os bairros residenciais e industriais. A região dos bairros é bem parecida como andar em alguns bairros da zona norte da cidade de São Paulo, muito morro, muito carro.

Centro da cidade.

Minion Batman General Guemes ADV, achou seu bairro!
O Ednei seguiu para a concessionária Suzuki, trocar óleo e pneu da moto, e resolveu ficar esperando o serviço.

Eu resolvi conhecer o Glaciar Martial, que fica perto, nas montanhas ao norte da cidade. O caminho é fácil, basta perguntar onde fica o acesso para os hotéis Altos Ushuaia, Las Hayas Resort ou Hotel del Glaciar, é o mesmo caminho para a Estação de Esqui.

Na base da estação de esqui começa uma estrada, em subida, onde não passam veículos, que leva ao glacial. O caminho é longo (cerca de 3,5 km), todo em subida, em com trecho final nas trilhas da montanha. Subi vestido de jaqueta, calça e bota de pilotar, pois lá em cima poderia ser muito frio.

Teleférico da estação de esqui... ainda muito longe da neve.

Daqui ao gelo, ainda faltava 2 km. Para quem enxergar uma linha reta, quase horizontal nas montanhas, ali é uma trilha a pé.

A caminhada é bem árdua e tem que ser feito com calma para quem não tem tanto preparo físico. Eu fui, com o peso da roupa e me cansei bastante, quando pensei em desistir, já tinha andado tanto que não valia mais à pena. Finalmente, no topo, no meio da neve, com visão da cidade toda, do Canal de Beagle, os picos nevados atrás, pude descansar em um longo momento de contemplação e reflexão.


Ali, com poucos outros turistas corajosos, que não chegaram perto, parei, fiquei sozinho e pensei em toda a viagem, o porque que fazemos isso, como fazemos e para quê!? As conclusões foram boas, me levaram a refletir sobre a própria vida. Depois de 9.000 km, a gente roda e para em uma paisagem muito louca, só... para pensar na vida. Fantástico, poucas vezes temos oportunidades dessa. Coloquei muita coisa em ordem na minha cabeça!



A descida, lógico, foi mais tranquila, cheguei lá no estacionamento da estação de esqui suado e com a outra bota com a sola soltando (não é a mesma que arrumei em Bariloche), valeu a pena!

Voltei na concessionária Suzuki e a moto do Ednei já estava pronta, fomos rodar pela cidade!

Concessionária Suzuki (oficina multi marcas), ótimo atendimento!

Voltamos sentido hostel procurando uma sapataria para consertar minha bota, ou no mínimo uma loja de ferramentas para comprar um rolo de silver tape e resolver o problema, a única coisa que consegui foi um longo bate papo na loja de ferramentas, os donos se empolgaram em ficar perguntando sobre nossa viagem, e nem tinham silver tape.

Com muito custo e indicações (daquelas complicadas) do povo na rua, encontrei uma sapataria. Mas uma vez, sorte, a dona, uma moça de uns 35 anos, super atenciosa, já entendeu o problema e passou a bota na frente de outros serviços para fazer na hora. Dessa vez fiquei com o pé descalço dentro da loja mesmo. A dona pegou no papo de viagem e acabei contando quase todas, Atacama, Sul do Brasil, Jalapão, etc. O serviço ficou tão bom quanto o de Bariloche, e mais uma vez ouvi a recomendação: "estas botas tem que ser consertadas com costura dupla, se não, não aguenta" (viu, sapateiros do Brasil?!). Paguei o equivalente a 20 reais e saí feliz da vida, no frio de 6 graus. Me perdi, demorou um pouco para achar o caminho para o hostel.

Taller de Calzado Vera... Kuanip 1173.
O hostel não tem garagem, as motos dormiram na rua. Mas, garantiram que ninguém mexe, na dúvida, a Negona dormiu com o cadeado na coroa.

Hora do jantar! Hora de Centolla! Ushuaia, 20:00h, 4ºC na rua. Andar de moto? Nem a pau... fomos de táxi, a preço justo (barato).

Restaurante el Viejo Marino. Sentamos, pedimos a centolla, a garçonete perguntou se queríamos escolher uma no aquário, deixamos melhor eles fazerem isso. Em poucos minutos, passa ela com um caranguejo vivo, enorme, se mexendo pelo meio do salão (faz parte do show).

Centollas vivas... é só escolher!
Entrada de frutos do mar e cerveja Beagle.

Em poucos minutos chegou o prato. Ainda bem que a garçonete ensina como comer, como cortar cada tipo de parte do bicho. Com um acompanhamento básico e cervejas argentinas, foi um ótimo jantar, valeu à pena.

A dúvida quando chegou.... como se come?
Foi uma boa surpresa este prato típico que não pode faltar em uma ida ao Fim del Mundo!

Não se engane! É muito caranguejo para duas pessoas.... olha o estrago feito!


No mapa abaixo estão algumas referências para andar em Ushuaia, não é difícil:

Ruta Nacional 3 - entrada da cidade
Luis Fernando Martial 3560 - estação de esqui (partida para o Glaciar Martial)
Avenida Leandro N. Alem 3981 - Hosteria Ailen
Ruta Nacional 3 (fim) - Bahía de Lapataia
Avenida Prefectura Naval - totem para a foto tradicional (região do porto, baixada do centro)
Avenida Maipú 229 - Restaurante El Viejo Marino (centolla)

Resolvemos começar o caminho de volta para casa amanhã cedo. São cerca de 5.000 km direto, e para chegar em casa no dia 27, vamos ter que rodar uma média de 555 km por dia, é um bom número que dá segurança compensar qualquer perda de tempo ocasionada por perrengues que venham a acontecer. Daqui 9 dias, estamos em casa! Nunca fiz uma viagem de volta tão longa! Ahh, e ainda falta o km 0 da Ruta 40!


Dicas:

Gasolina: 13,75 AR (2,75 BRL)

Hosteria Ailen: Avenida Leandro N. Alem 3981- info_hosteriaailen81@yahoo.com - www.hosteriaailen.com.ar (o site é muito mais bonito do que o hotel) - Caro: 1.300 AR (260 BRL) por apartamento duplo, mas em Ushuaia tudo é caro, este é um dos mais baratos, com apartamentos simples, mas o suficiente para um bom sono quente. Café da manhã simples. Sem garagem.

Restaurante El Viejo Marino: Calle Maipu 229 - https://www.facebook.com/elviejomarinorestaurant/

Parque Nacional Tierra del Fuego: https://www.parquesnacionales.gob.ar/areas-protegidas/region-patagonia-austral/pn-tierra-del-fuego/ - Tarifa: 350 AR (70 BRL).

Tren del Fin del Mundo: http://www.trendelfindelmundo.com.ar/ - Tarifa: 690 AR (147 BRL).

Suzuki Motos TDF: Gobernador Paz, 668 - Telefone: 02901 - 422843 - www.suzukimotostdf.com.ar