7 de fevereiro de 2015

Morro do Diabo - 2º dia

Noite bem dormida!
Dia de visitar o Morro do Diabo, que não fica na sede do parque. O guia encontra os visitantes na praça da prefeitura, e de lá partem para o local; o horário combinado é sempre 08:00h.
Para evitar atrasos acordei às 06:00h, dando tempo de sobra para um banho, arrumar as tralhas, ir para a cidade e tentar tomar um café da manhã antes de fazer a trilha.

Ao sair do parque encontrei seguranças diferentes, mas com a mesma cordialidade dos anteriores. Paguei a hospedagem na guarita, e ainda garanti a volta para, pelo menos, usar a hospedaria para trocar de roupa após o almoço, e quem sabe tentar fazer uma das trilhas da sede.

Antes de sair, uma visitante ilustre resolveu dar umas voltas pelo gramado molhado:

Primeiro bicho do dia!

Dona anta de novo!

Saída do parque.

Foto oficial!

Andar de moto de manhã é sempre muito legal, o friozinho com nascer do sol sempre faz a gente ir devagar para olhar a paisagem. E por incrível que pareça, na estrada o Rio Paraná, em uma de suas curvas, fica à leste, e o sol nasce por trás dele.




Cheguei na praça da prefeitura às 07:30h, acabei não observando se havia alguma padaria no caminho, então fui dar uma olhada num boteco de esquina, somente salgadinhos fritos com cara de bem encharcados, não iam me fazer bem. Então, meu café da manhã foi um sorvete de leite, comprei mais duas águas para a caminhada da trilha.

O guia chegou pontualmente às 08:00h, quando já eramos 8 visitantes: eu, um casal e uma família. Falha grave minha, não anotei o nome do guia achando que me lembraria, e esqueci... então aqui o tratarei como "guia" mesmo! Desculpe-me guia!

A entrada da trilha para o Morro do Diabo fica há 14 km, pela SP-613, sentido Rosana; esta rodovia corta todo o parque pelo meio.

Portal do Parque.

Com a Red, não podia faltar.

É nóis mano!

E ao longe já se vê a obra da natureza!

Morro do Diabo.

Fazendo parte da paisagem!

A entrada da trilha que sobe o morro é trancada, sem acesso. A visita só pode ser feita mesmo com a presença de um guia agendado. Enquanto o grupo faz a trilha dois seguranças de moto ficam na entrada vigiando o portão e os veículos. Se alguém chegar atrasado, e o grupo já tiver começado a subir, perde o passeio, não pode andar sozinho lá. Muito bem organizado.


Logo no início da trilha nosso guia já passou as orientações gerais para não sair da trilha, não tocar nas plantas e em animais. Ali é ambiente selvagem e podem haver urtigas, espinhos, taturanas, aranhas, escorpiões e cobras, além dos não peçonhentos, mas de difícil visualização: onças, cervos, macacos e pássaros.

As explicações incluíram a história do parque e todo o trabalho feito para conservação do Mico-leão-preto.

A subida é cansativa e deve ser feita com calma, apreciando o caminho.

Segundo bicho do dia!

Por ali: subida!

Sobeee!

No meio do caminho havia uma cobra! Uma pequena jararaca que o guia achou. Não a incomodamos e ela foi embora tranquila.

Terceiro bicho do dia!

E finalmente, no topo. Fomos em três mirantes, com visões de todo o parque, do interior de São Paulo e também do Paraná, onde podia-se ver os Três Morrinhos, também área de visitação deste estado.

Vista para o Paraná.

Vista para São Paulo.

O marco da foto abaixo foi colocado pela Petrobrás em um antigo trabalho que levantava possíveis locais para exploração de petróleo e gás em São Paulo. Não acharam nada por aqui.

Marco da Petrobrás.

Em meio a mata atlântica se encontra um cacto? Explicável, como estamos muito próximo do Mato Grosso do Sul, já começa a haver uma transição para o cerrado e as espécies se misturam um pouco.

Cacto atingido por um raio.

No topo.

Mais meio metro dava 600!

Altura do morro: cerca de 250 metros.

Mata atlântica.

Red marcando presença.

Antes de descer nosso guia nos conta três histórias para o surgimento do nomo Morro do Diabo, vamos à elas:

Subir e descer: dizem que se alguém subir e descer o morro por 10 vezes, na última verá o diabo em pessoa!

Chifres e raios: antigamente o morro possuía dois chifres, que em dias de tempestade eram alvo dos raios, uma visão diabólica. Hoje estes chifres foram erodidos naturalmente e não existem mais.

Mortes: a história mais completa diz que naquelas matas viviam muitos índios. Em tempos de caçada os homens ficavam dias fora da aldeia, deixando mulheres e crianças sozinhas. Certa vez os bandeirantes, passando por ali, encontraram essa aldeia sem homens; para eles os homens eram importantes pois eram escravizados, mulheres e crianças não tinham serventia, então eles mataram a todos. Após a chacina os bandeirantes acamparam sobre o morro, para ter uma visão mais geral e decidir para onde ir depois. Quando os índios voltaram da caçada encontraram todos seus entes mortos, raivosos seguiram os rastros dos bandeirantes, armaram uma tocaia e mataram todos. Mas não pararam aí, esquartejaram os corpos e penduraram as partes nas copas das árvores. Após o fato os índios decidiram que ali não era mais uma terra boa para morar, pois foi local de muita tristeza, guerra e morte.
Como os bandeirantes mortos não davam notícias, outro grupo foi atrás deles, seguindo seus rastros chegaram no local do acampamento e encontraram aquela imagem de pedaços de corpos apodrecidos pendurados nas árvores. Com terror da imagem, atribuíram aquilo a uma ação do próprio diabo. E assim o morro ganhou o nome que tem até hoje.

Achei a terceira história mais legal.
Hora de descer. A descida não é tão cansativa como a subida, mas joelhos sentem as pancadas do terreno e doem bastante, pelo menos os meus!

No caminho, o quarto bicho do dia que chamou a atenção um bicho-pau, este inseto causa muita confusão e muitas vezes é confundido com o louva-a-deus, mas não são a mesmo coisa, então utilizando de meus conhecimentos agronômicos explico: o bicho pau é um inseto herbívoro, da ordem phasmatodea, facilmente encontrado em plantas das famílias das goiabeiras e é totalmente inofensivo. Seu andar inclui no movimento um característico balançar do corpo, simulando um graveto balançando com o vento (os louva-deus são insetos carnívoros pertencentes à ordem mantodea).

Bicho-pau, achando que não está sendo visto.

Ao fim da descida, nos despedimos do guia e seguimos cada um para um lado, os dois seguranças de moto trancam o portão da trilha e somente saem dali após o último visitante. Já era hora de almoço e resolvi seguir para a o Clube Pouso da Garça, na verdade uma pousada, onde o casal do grupo da trilha estava hospedado e me contaram ser um ótimo local.

O Pouso da Garça fica na estrada que vai para a sede do parque, um pouco antes deste. Tem ótima infraestrutura, com apartamentos com ar condicionado, piscina, bar, restaurante, local para camping, de frente para o Rio Paraná. Há opção de saída de barco para passeio e para pesca. Almocei no restaurante um comercial com peixe frito, por R$ 18,00 foi uma fartura só.


Mas o cardápio é muito completo, dando mais preferências para as porções, visto que na beira do rio o que deve mais sair são os acompanhamentos para uma cervejinha. O casal do grupo da trilha acabou chegando uns 15 minutos depois.

No local passeia uma arara, ela interage com os turistas mas é meio selvagem, o guia da trilha contou que o animal foi recuperado de uma posse ilegal e solto na natureza, mas de vez em sempre vai na pousada para ganhar alimento extra e alguns carinhos.

Arara, quinto bicho de hoje.

Concluí que esta é uma ótima pousada para se ficar na visita ao parque, pois oferece fácil acesso, tem atividades próprias, piscina e a infra estrutura é muito boa. Os valores variam conforme o apartamento, mas fica por volta de R$65,00 para uma pessoa, R$ 120,00 para duas, R$ 200,00 para quatro, mais ou menos.

Como ainda estava cedo, resolvi correr para o a sede do parque para fazer uma trilha, trocar de roupa e ir embora. Entre as 5 trilhas disponíveis na sede, escolhi a Barreiro da Anta, porque disseram que tinha um lago e uma ponto sobre este. Segredo da trilha, não parar, se não os mosquitos te comem vivo, então só andei e parei para algumas fotos.







Depois da trilha, uma passada no museu para ver algumas espécies taxidermizadas, interessante, mas não é uma excelência em naturalidade dos bichos, creio que seja mais para instrução das excursões de escolas, considerando que seja para educação de preservação, tudo é valido.











A rodovia SP-613, que corta o parque, causa muitos atropelamentos de animais, ao lado do museu há um cemitério, também deve ter a finalidade de educação.


Passeio concluído, desci aos vestiários perto da hospedaria, coloquei a roupa de viagem para pegar estrada e voltar para casa.

Arte: mico-leão-preto de arame


Última foto, na entrada da cidade. E o caminho de volta foi tão tranquilo quanto na vinda. Cheguei em casa são e salvo, graças a Deus. Até a próxima.

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Dicas:
Parque Estadual do Morro do Diabo - agendamentos da trilha do Morro do Diabo e hospedagem: (18) 3282-1599 e (11) 95652-0546. http://www.ambiente.sp.gov.br/parque-morro-do-diabo.

Clube Pouso da Garça - (18) 98118-2638 e 99694-7281, Rod. SPV 28 Rubens C. Herling, km 8 - Bairro Córrego Seco (é a estrada que leva à sede do Parque do Morro do Diabo, um pouco antes deste).

6 de fevereiro de 2015

Morro do Diabo - 1º dia.

MORRO DO DIABO - Teodoro Sampaio

Conhecer este parque paulista já estava nos meus planos há algum tempo. Foi um planejamento simples, pois o site oficial contém boas informações e por telefone consegui tirar todas as minhas dúvidas; inclusive a hospedagem foi garantida no alojamento do próprio parque. Então, vombora!

Um pouco de história:
O Parque Estadual do Morro do Diabo foi criado em 1986, e possui uma área de 33.845,33 ha. O nome do parque é dado devido ao Morro do Diabo, uma elevação com cerca de 250 metros que se destaca na paisagem. A criação do parque foi a forma de proteger a área perante às grilagens, conflitos destruição que ocorriam. Na verdade esta área foi a única que sobrou das antigas Reserva Estadual do Morro do Diabo, Reserva Lagoa São Paulo e a Grande Reserva do Pontal do Paranapanema, criadas em 1941 pelo governador Fernando Costa (defensor da conservação), mas com as duas últimas totalmente invadidas com o apoio do governador Ademar de Barros, que protegia a grilagem. A Reserva Lagoa São Paulo se extinguiu e a Grande Reserva do Pontal do Paranapanema passou de 246.840 hectares, para 108.900 hectares. Na verdade o Parque do Morro do Diabo só está salvo devido à redescoberta do, até então, extinto mico-leão-preto e ao barulho feito pela imprensa nacional e internacional, que chamaram a atenção de todos para o local. O mico-leão-preto era considerado extinto desde 1905, mas foi redescoberto no Morro do Diabo em 1970, a espécie só existe lá, e em uma única população viável da espécie, com cerca de 1.000 indivíduos.

O caminho para Teodoro Sampaio é relativamente tranquilo e bom, tudo por pista simples. Foram 275 km, feitos em pouco mais de 3 horas, com uma parada em Parapuã para tomar um suco na barraca à beira da estrada, e abastecimento em Presidente Prudente.



Estradas sem maiores problemas.

Chegando...!

E está aí, cheguei!

Chegar à sede do Parque é fácil, atravessa-se a cidade toda pela Avenida Cuiabá (central), quando se chega no último quarteirão já tem uma placa indicando virar à direita para pegar uma estrada vicinal (asfaltada) de 11 km.

Dica: o Morro do Diabo não fica na sede, fica em outro lugar do parque, por outros caminhos (mais adiante esclareço).

Fui recebido na guarita onde o guarda já sabia que era eu que ia ficar hospedado lá, não ficaria mais ninguém no alojamento, ele anotou meus dados e indicou o local onde outro guarda me conduziria. Pessoal muito educado.

Fui logo pois queria visitar pelo menos uma trilha, das 6 que existem ali. Mas aconteceu algo que, com e Negona nunca tinha acontecido nestes 3 anos de parceria, furou o pneu! Foi sair da frente da guarita e andar 10 metros a moto dançou a traseira e murchou tudo, completamente!

O jeito foi empurrar a moto por 300 m até o escritório da segurança, a hospedaria era mais uns 80 m dali, mas o segurança Rodrigo me ajudou a empurrar dessa vez. Bom, já vi que estava ferrado, o jeito agora era pensar em como resolver o problema, eu tinha levado um reparador de pneus Motul, se conseguisse encher e tapar o furo, dava para voltar na cidade e consertar, mas nem deu tempo de terminar o pensamento o Rodrigo ofereceu seu carro para eu levar o pneu na cidade. Sinceramente, nem pensei em ser educado e negar a oferta, aceitei e me mostrei feliz para o cara; bom, nessas horas é que descobrimos à nossa volta as boas pessoas, esse cara foi nota 10!


O Rodrigo me levou até o quarto que eu ficaria na hospedaria e informou todas as "regras da casa". O alojamento é uma grande casa, com 7 apartamentos, no que eu fiquei haviam 3 beliches; na parte comum da casa há uma lavandeira, uma cozinha completa, um refeitório e uma sala de TV. Bem legal. É possível hospedar até 40 pessoas.

Cozinha.

Refeitório.

Sala de TV.
Me preocupei com o calor, mas no apartamento há um ventilador gigante na parede (daqueles igual de igreja...rss), que aparentemente daria conta do serviço. Tudo por R$ 19,00. Há roupa de cama, toalhas, travesseiros e cobertores, mas na dúvida trouxe um lençóis, fronha e toalha de casa (não dei chance para minha renite estragar a viagem).


Apartamento.

Lado externo

Lado externo

Local do descanso reconhecido, o Rodrigo me entregou a chave do seu carro. Deixei toda a tralha no quarto e, vamos lá, tirar a roda da moto.

Até o macaco eu usei o do carro. 


O brabo mesmo não foi tirar o pneu, foram os pernilongos me picando enquanto eu fazia esta tarefa, estavam tão esfomeados que picavam até por cima da blusa!

Bora rodar!

O carro era assim, o banco do motorista era fixo, não tinha regulagem, pois como estava quebrado, foi deixado na posição que a esposa do cara gosta e acho que ela é bem baixinha, porque ficou apertado.

Corre para a cidade e no primeiro quarteirão da avenida principal já tinha uma loja de pneus com borracharia, mas fechada (já era mais de 18:00h). Parei em um posto para perguntar e o frentista começou a me orientar com um "Vixe!": "Vixe, hoje vai ser difícil, se você achar é só no posto lá na rodovia da entrada da cidade", pensei... tô ferrado! Vou ter que arrumar esse pneu amanhã cedo e vou perder o agendamento para visitar o Morro do Diabo, perdi a viagem. Mas toquei em frente. Ainda bem que no meio do caminho havia um outro borracheiro.

Resultado do serviço: um furo por um pedaço de arame duro e um corte na câmara de ar, bem na solda da emenda (provavelmente feito quando andei aquele pedaço como pneu murcho), o corte foi bem na solda de emenda da câmara e o borracheiro sugeriu trocar, pois é um local que pode abrir sozinho depois. Achei que o cara tava me enganando, mas como essa câmara ainda é a original da moto e a que ele tinha era de boa marca, resolvi trocar.

Fechando a conta: 45 reais pela câmara, 5 reais pelo serviço, 20 reais de álcool no Gol para retribuir e pagar a ajuda do Rodrigo.

Até voltar ao parque, recolocar a roda com pernilongos picando, agora ajudados por duas mutucas, já anoiteceu. Hora do banho, preparar um Miojo, assistir um pouco de TV e dormir. Mas, olhei para o Miojo, ele olhou para mim, e resolvi ir jantar na cidade, no melhor lugar da cidade indicado por frentistas, o Gaucho´s Grill, com rodízio de pizza. Deu para matar a fome e a sede.

Aproveitei para deixar marcada minha passagem por lá.
Bora dormir!





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18 de janeiro de 2015

Começando o ano de vermelho!!

Grande satisfação e alegria em receber a honra de portar a Take the Flag Red do xt660.net!! Vindas das mãos do amigo Rogério Bidiela (Mirassol/SP).
Para comemorar, almoço light de domingo com amigos, ceviche, muita salada e muito suco para aguentar o calor de 45º.

A Red está desde 30 de abril de 2012 na estrada, já percorreu a Bahia (nas mãos do primeiro guardião, Atobá, saudoso mestre da galera xt660), Foz do Rio São Francsico, Alagoas, Pernanbuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Sata Catarina e Rio Grande do Sul.

Quem sabe o próximo destino?.... Responsabilidade nas mãos, vamos rodar, o tempo é curto!!!