17 de janeiro de 2018

ESPECIAL: 15 MÚSICAS ROCK N ROLL COM MOTOCICLETA

Por Marcelo Freire / Revista Duas Rodas

A rebeldia do rock ‘n’ roll não demorou muito tempo para se associar ao sentimento de liberdade da motocicleta, união que ficou clara principalmente a partir de “Sem Destino” (“Easy Rider”, 1969) – um filme que marcou a contracultura com a história de dois motociclistas hippies, interpretados por Peter Fonda e Dennis Hopper, que viajam pelos Estados Unidos com suas choppers. Desde então, diversas bandas e artistas do estilo se dedicaram a reverenciar a motocicleta, direta ou indiretamente, em suas canções.
A associação óbvia é com “Born to be Wild”, do Steppenwolf, música mais famosa de “Sem Destino”, e é por isso que a deixamos de fora dessa lista; você certamente já a ouviu inúmeras vezes e a proposta aqui é conhecer outras faixas. É por esse motivo que “Vital e sua Moto”, dos Paralamas do Sucesso, também ficou de fora. Dos 15 artistas “rock and bikes” que Duas Rodas separou em referência ao início do Rock in Rio 2013, um deles tocará no festival: Bruce Springsteen, no dia 21 de setembro. Veja de quais músicas você gosta e sugira outras nos comentários.
1968 – “Magic Carpet Ride” (Steppenwolf)
“Bem, você não sabe o que podemos encontrar/Por que não vem comigo, garotinha, em um passeio de tapete mágico?”
“Born to be Wild” está fora, mas tirar o Steppenwolf da lista seria injusto com John Kay e companhia. Escolhemos o segundo maior sucesso da história da banda, cheio de suingue, que convida para uma viagem psicodélica em um tapete mágico – como analogia à motocicleta, funciona bem.

1969 – “Ballad of Easy Rider” (The Byrds)
“Rio, siga seu fluxo/Deixe suas águas baixarem/Me leve dessa estrada para outra cidade”
Presente na trilha sonora de “Sem Destino”, “Ballad of Easy Rider” é a perfeita representação da liberdade e do desapego do viajante, uma marca do filme. Foi composta por Roger McGuinn e gravada também por seu grupo, o The Byrds.

1970 – “Midnight Rider” (Allman Brothers Band)
“Eu só tenho mais um dólar/Mas não deixarei eles me pegarem, não/Não vou deixar eles pegarem o ‘cavaleiro’ da meia-noite”
O Allman Brothers Band tem uma história de amor e tragédia com motocicletas – dois integrantes sofreram acidentes fatais –, e essa canção de Gregg Allman sobre o cavaleiro (ou motociclista) da meia-noite é mais uma história do fora-da-lei que tem como destino somente a estrada.

1972 – “Motorcycle Mama” (Sailcat)
“Você será a rainha da minha estrada, minha ‘musa’ da motocicleta, veremos o mundo pela minha Harley”
A desconhecida banda Sailcat, do Alabama, emplacou um “quase-hit” nos Estados Unidos em 1972 com essa serenata que convida uma jovem a fugir de casa e conhecer o mundo de moto. E que motociclista nunca quis fazer um convite desses para sua musa?

1974 – “Bad Motor Scooter” (Montrose)
“Se estiver sozinha na fazenda de seu pai, lembre-se que não moro longe (...) Então suba no seu scooter malvado e venha para minha casa passar a noite”
Muito antes de fazer sucesso solo e como cantor do Van Halen, Sammy Hagar era frontman do americano Montrose, convidando uma namorada motociclista a pegar seu scooter e visitá-lo. A guitarra “suja” e pesada de Ronnie Montrose faz alusão a um motor na versão de estúdio desse clássico dos primórdios do heavy metal.

1975 – “Born to Run” (Bruce Springsteen)
“Surgindo das grades na Highway 9/Rodas cromadas, combustível injetado, passando dos limites (...) Porque vagabundos como nós, baby, nascemos para correr”
Responsável por alavancar a fama de Bruce Springsteen, “Born to Run” é um dos hinos de estrada, fantasiando com a irresponsabilidade juvenil que se preocupa apenas com sua garota e em se divertir pelas ruas e rodovias.

1977 – “Iron Horse/Born to Lose” (Motörhead)
“Ele pilota pela estrada que não tem fim/Uma rodovia livre, sem curvas (...) Orgulhoso de suas cores, quando o cromado reluz/Em um cavalo de ferro ele voa”
O trio comandado por Lemmy Kilmister talvez tenha sido o primeiro grupo de heavy metal diretamente associado às motos – as choppers que lotam os estacionamentos das casas de show que o digam –, muito por causa desse clássico “viajante solitário” de seu primeiro disco. A letra é politicamente incorreta, claro, como é de se esperar do Motörhead.

1978 – “Hell Bent for Leather” (Judas Priest)
“Escutam o motor enquanto sentem o perigo/Rodas! Um aço brilhante e um flash de luz/Gritos! De um raio de fogo ele ataca/O inferno se curva ao coro”
Outro pioneiro do heavy metal ligado às motos é o Judas Priest, notável também por inspirar seus seguidores com um visual dominado por couro e rebites. O Judas assumiu essa identidade em “Hell Bent for Leather” que, ao vivo, é iniciada com a entrada do vocalista Rob Halford pilotando uma Harley-Davidson – tradição da banda desde o lançamento da música.

1983 – “Roll Me Away” (Bob Seger)
“Dei uma olhada na estrada para o oeste e já fiz minha escolha/Peguei minha grande máquina de duas rodas, estava cansado da minha voz/Mirei as planícies do norte e apenas despejei a potência”
Voltando aos temas mais leves do “rock and bikes”, essa canção de refrão grudento do baladeiro Bob Seger remete ao tradicional tema da liberdade estradeira e à ansiedade sobre o que pode acontecer durante as viagens.

1988 – “Ride Like the Wind” (Saxon)
“Preciso acelerar, acelerar como o vento, para ser livre de novo/E ainda tenho um longo caminho para percorrer até a fronteira com o México, então preciso acelerar como o vento”
Difícil escolher o melhor tema motociclístico dos britânicos do Saxon: “Wheels of Steel”, “Stallions of the Highway”, “Midnight Rider”, &ldqldquo;Iron Wheels” e a clássica “Motorcycle Man” são algumas opções. Mas escolhemos o cover “Ride Like the Wind” por eles terem transformado o hit pop de Christopher Cross em uma sólida canção de hard rock.


1989 – “Ride” (Joe Satriani)
“Vejo a estrada se abrir para mim, sinto o calor/Vou para onde eu quiser, quando eu quiser, tenho que ser livre/Apenas quero pegar minha moto e acelerar”
A guitarra virtuosa, repleta de solos rápidos e complicados, pode não parecer uma associação óbvia com as motos, mas Joe Satriani não se importa muito com isso e compôs esse hino estradeiro. Três anos depois, repetiria o tema motocicleta na instrumental “Motorcycle Driver”.

1992 – “Unknown Legend” (Neil Young)
“Em algum lugar, em uma rodovia deserta, ela pilota uma Harley-Davidson/Seus longos cabelos loiros ao vento/Ela fugiu metade de sua vida/O cromado e o aço que ela pilota colidindo com o ar que ela respira”
O rebelde Neil Young já havia se aventurado com mulheres sobre motos em “Motorcycle Mama” (sem relação com a já citada canção do Sailcat) e retomou o tema na balada “Unknown Legend”, sempre com seu peculiar talento para contar histórias.

1996 – “Return of the Warlord” (Manowar)
“Hora de incendiar, vocês perdedores deveriam aprender/Ninguém controla nossas malditas vidas/Fazemos o que sentimos, montados em cavalos de aço/Estamos aqui para incendiar a noite”
Os auto-intitulados “reis do metal” despertam amor e desprezo dos fãs de heavy metal por conta da postura teatral e do discurso ofensivo contra aqueles que consideram “falsos” no estilo. Nesse clipe de 1996, eles mostram paixão por motos customizadas, fãs devotos e tietes, num roteiro que mistura cromados, mulheres, cerveja e metal.

2002 – “Ghost Rider” (Rush)
“Organize esses fantasmas, carregue essa carga invisível/Siga rumando norte e oeste/Assombrando essa estrada selvagem/Como um viajante fantasma”
O motociclista, baterista e letrista do Rush, Neil Peart, já apareceu nas páginas de Duas Rodas após sua aventura de BMW R 1100 GS por Brasil, Argentina e Chile. No fim dos anos 1990, ele se curou da morte da mulher e da filha durante uma longa jornada solitária pela América do Norte, que rendeu o livro “Ghost Rider” e, posteriormente, a emotiva música de mesmo nome. Nesse vídeo, o trio executa a canção no Maracanã.

2009 – “2 Wheels Move the Soul” (Sasha & Motoroadeo MMC)
“Peter Fonda e Dennis Hopper sabiam das coisas/Vender tudo e viver da minha moto/Amo seguir a corrente, viver o momento, sentir o vento soprar/Não é o que você pilota, e sim como você roda/Quatro rodas podem mover um corpo, mas duas rodas movem uma alma”
Sasha Mullins não é exatamente uma cantora, e sim uma motociclista americana com diversos talentos. O single “2 Wheels Move the Soul” mostra que, na música, seu potencial é grande.


Alguns links do Youtube foram trocados, pois os vídeos não existiam mais.

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